O umbigo e a saúde dos bezerros

 

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – Materiais técnicos – J.A Saúde Animal
Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Responsável técnico – J.A Saúde Animal

Uma das preocupações iniciais na criação de bezerros é a desinfecção do umbigo e a ingestão de colostro pelos animais recém-nascidos. A desinfecção correta do umbigo logo após o nascimento dos animais é um diferencial que pode significar bom desempenho, saúde e contribuir significativamente na diminuição da mortalidade de bezerros (DUTRA; FERREIRA, 2001).

É comum que os bezerros apresentem afecções de umbigo, como a onfalite e a onfaloflebite, em propriedades que não seguem um bom manejo sanitário e higiênico ao nascimento. Muitos autores destacam as afecções umbilicais como uma das doenças de maior incidência nos bezerros, com variação de 28% até 42,2% nas propriedades leiteiras e de corte em levantamentos em alguns estados do Brasil (MIESSA et al., 2002; LOPES et al., 2008; REIS et al., 2009).

A onfalite é a inflamação da parte externa do umbigo, havendo aumento de volume e dor à palpação, podendo estar obstruído ou drenar secreção purulenta. O bezerro também pode se apresentar deprimido, febril e com falta de apetite (RADOSTITS et al., 2002). Já não bastasse isso, em alguns casos há a infestação de larvas da mosca Cochliomyia hominivorax (miíase) na cicatriz umbilical, gerando lesões locais e imenso desconforto no animal (DUTRA; FERREIRA, 2001). Já a onfaloflebite é uma inflamação mais profunda, atingindo a parte mais interna do umbigo, especificamente, os vasos umbilicais.

O diagnóstico das afecções umbilicais geralmente é baseado na anamnese, exame clínico e achados hematológicos (FIGUEIRÊDO 1999). A anamnese deve ser feita buscando entender como é a condição higiênico-sanitária da propriedade (DONOVAN et al., 1998; SMITH, 2006), principalmente sobre os cuidados de assepsia, cura de umbigo e solução antisséptica utilizada. Quanto ao exame clínico, o método utilizado é a inspeção e palpação dos componentes extra e intra-abdominais em busca de sinais de inflamação, sendo que aqueles intracavitários exigem métodos diagnósticos mais complexos (TRENT; SMITH, 1984; FIGUEIRÊDO, 1988; RADOSTITS et al., 2002).

Os problemas umbilicais causam grandes perdas econômicas, visto que diminuem o ganho de peso, geram custos com medicamentos e assistências veterinárias, retardam o crescimento e promovem depreciação da carcaça dos bezerros, podendo levá-los à morte (BARBOSA et al., 2009). Por isso, é muito importante que seja feita a prevenção e, se necessário, o tratamento dos animais acometidos.

A profilaxia, tanto das infecções bacterianas quanto das miíases, pode ser feita através da correta desinfecção umbilical com substância cáustica, podendo ser solução de iodo (de 5 a 10%) ou até mesmo ácido pícrico (5%). Essas substâncias têm a função de mumificar o cordão umbilical, favorecendo sua cicatrização (DUTRA; FERREIRA, 2001).

Adicionalmente, como forma de prevenção e tratamento é importante utilizarmos um medicamento metafilático, que irá atuar simultaneamente na prevenção e tratamento desses animais sob risco de infecção. A J.A Saúde Animal sugere a aplicação de Pró-Bezerro® logo ao nascimento.

Pró-Bezerro é um medicamento especialmente desenvolvido para proteger bezerros recém-nascidos, sendo produto injetável (intramuscular), em dose única, composto de antimicrobiano de longa ação (Penicilina G. Benzatina), associado a antiparasitário específico para controle das miíases. Possui alta eficácia terapêutica e ação de 28 dias, protegendo o bezerro no momento mais crítico de sua vida.

 

REFERÊNCIAS:

 

BARBOSA,J.D.; PINHEIRO C.P.; CERQUEIRA V.D. Onfalopatias de bezerros de rebanhos
leiteiros no nordeste do estado do Pará. Disponível em:
http://www.revistas.ufg.br/índex.php/vet/article/view/7709/5474. Acesso em 31 de mai. 2017;

DONOVAN, G. A.; DOHOO, R. I.; MONTGOMERY, D. M; BENNETT, F. L. Cattle morbidty and mortality: passive immunity. Preventive Veterinary Medicine, Amsterdan, v. 34, n. 1, p. 31-46, 1998;

DUTRA, I. ; FERREIRA L. C. L. Infecção umbilical em bezerros de corte. 2001. Disponível em:< http://www.beefpoint.com.br/radares-tecnicos/sanidade/infeccao-umbelical-em-bezerros-de-corte-5104/> Acesso em 31 de mai. 2017;

FIGUEIRÊDO, L. J. C. Onfalopatias de bezerro. Salvador: EDUFBA, 1999, p. 31-34;

FIGUEIREDO, L. J. C.; PINTO, K. G. O.; RIBEIRO, M. G.; FERREIRA, M. M.; COSTA, E. J. R. Doenças de bezerros: causa, efeito e correlação com o sistema de criação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINÀRIA, 21., 1988, Salvador. Anais… Salvador, 1988;

LOPES, P. F. R.; COUTINHO, A. S.; LARA, L. J.; BARBOSA, L. F. S. P. Diagnóstico e controle das doenças de bezerros em sistemas de produção de bovinos de leite da região de Lavras/MG In. CONGRESSO DE EXTENSÃO DA UFLA (CONEX), 4., 2008. Anais… Lavras: Universidade Federal de Lavras, 2008;

MIESSA, L. C.; AMARAL, A; BOTTEON, R. C. C. M.; BOTTEON, P. T. L. Morbidade e mortalidade de bezerros leiteiros devido a processos inflamatórios do cordão umbilical. Hora Veterinária, v. 23, n. 134, p. 16-18, 2002;

RADOSTITIS, O. M.; GAY, C. C.; BLOOD, D. C.; HINCHCLIFF, K. W. Clínica veterinária. 9. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. P. 56-59;

REIS, A. S. B.; PINHEIRO, C. P.; LOPES, C. T. A.; CERQUEIRA, V. D.; OLIVEIRA, C. M. C.; DUARTE, M. D.; BARBOSA, J. D. Onfalopatias em bezerros de rebanhos leiteiros no nordeste do estado do Pará. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BUIATRIA, 8., 2009, Belo Horizonte, Anais.. Belo Horizonte: Associação Brasileira de Buiatria, 2009;

SMITH, B. P. Manifestaçãoes de doenças no neonate (onfalite/onfalofeblie). In: Medicina interna de grandes animais, 2006. Cap 20, p. 369-370;

TRENTE, A. M.; SMITH, D. E. Surgical management of umbilical masses with associated umbilical cord remnant infections in calves. Jornal of the American Veterinary Medical Association, v. 185, p. 1531-1534, 1984;

 

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