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Como a retenção de placenta em rebanhos leiteiros afeta no desempenho reprodutivo

 

São diversos os fatores que influenciam a eficiência reprodutiva dos rebanhos leiteiros, sendo que as enfermidades pós-parto têm grande importância nesse contexto, principalmente quando se trata de Retenção de placenta em rebanhos leiteiros 1; 2; 3.

O que é retenção de placenta e porque ocorre?

 

A placenta é o envoltório fetal que, após a parição, deve ser eliminada através da desconexão dos placentomas, que é junção de duas estruturas, as carúnculas do útero da vaca e cotilédones da placenta. Esse processo ocorre principalmente devido as contrações uterinas peri e pós-parto, promovendo a remoção fisiológica da placenta geralmente de 3 a 6 horas após a parição. Quando há falha na eliminação dessa estrutura, em até 12 a 24 horas pós-parto, considera-se que há a retenção de placenta 4; 5; 6.

Vários fatores são descritos como predisponentes à retenção de placenta, como deficiências nutricionais, falhas de manejo, distúrbios hormonais, partos distócicos, abortos por causas infecciosas (brucelose, leptospirose, IBR), aspectos imunológicos, entre outros 7; 8. Embora não seja o principal fator, o estresse térmico também influencia negativamente na incidência dessa doença, principalmente devido as altas temperaturas 9.

Tratamento

 

O grande problema que ocorre em decorrência da retenção de placenta é a contaminação uterina, agravada por uma importante diminuição dos mecanismos de defesa uterinos, reação fisiológica característica das fêmeas bovinas no período de transição (3 semanas antes e pós-parto) 10. A proliferação excessiva de bactérias nos casos de retenção, também provoca retardo na involução uterina, processo fundamental para o reestabelecimento dos ciclos estrais 11; 12.

Visto os prejuízos causados por essa enfermidade, é necessário que seja feito um tratamento rápido e assertivo, sendo indicada uma terapia antimicrobiana injetável, associada a medicação de suporte que promova estímulo para eliminação dos lóquios uterinos 13.

A terapia antimicrobiana pode reduzir consideravelmente a ocorrência de infecções uterinas, sendo a Oxitetraciclina, um princípio eficaz, de baixo custo e de uso rotineiro na fazenda 13. A oxitetraciclina, princípio ativo pertencente ao grupo das Tetraciclinas, é caracterizada por amplo-espectro de ação e liberação prolongada, eliminando bactérias gram-positivas e gram-negativas, dentre outros microrganismos.

A utilização de análogos de Prostaglandina também é indicada, pois esse agente acelera o processo de involução uterina e dá suporte na expulsão da placenta. Adicionalmente, o uso de Prostaglandina está relacionado à ativação dos mecanismos de defesa uterina, atuando de forma sinérgica no combate das infecções uterinas 14; 15. O análogo sintético da Prostaglandina F2α indicado e utilizado na rotina veterinária é o Cloprostenol Sódico.

Protocolo Sugestivo

 

Protocolo sugestivo da J.A Saúde Animal para a retenção de placenta em vacas é o uso de Tetra-micina, antimicrobiano à base de Oxitetraciclina, associado ao uso de Cioton, medicamento à base de Cloprostenol Sódico. O uso desse protocolo irá auxilia na redução da incidência da retenção de placenta, além de contribuir para a melhoria dos índices reprodutivos do rebanho.

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Autor: Eduardo Henrique de Castro Rezende – Médico Veterinário – J.A Saúde Animal

Referências bibliográficas

1. SMITH, R.D., BRAUN, R.K., ROUNSAVILLE, T.R., OLTENACU, P.A. The incidence of reproductive disorders and their effects on reproductive performance in commercial dairy herds. Journal of Dairy Science. v. 65, Sup.1 205, 1982.

2. MARTIN, L. R., WILLIANS, W.F., RUSSEK, E., GROSS, T.S. Post-partum uterine motility measurements in dairy cows retaining fetal membranes. Theriogenology. v. 5, p. 513-524,1986.

3. FERNANDES, C.A.C. Alternativas para tratamento de retenção de placenta em gado de leite. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 23, p. 442-444, 1999.

4. FERNANDES, C.A.C. et al., Impacto da retenção de placenta sobre a performance reprodutiva de vacas leiteiras. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v.b25, n. 1, p. 26-30, 2001.

5. MEÇA, K.K.O.; VASCONCELOS, A.C., MORO, L. Inibição de apoptose e retardo da maturação placentária: um provável mecanismo da retenção de placentária na brucelose bovina (revisão de literatura). Biosci. J., v.22, p.163-174, 2006.

6. KELTON, D.F.; LISSEMORE, K.D.; MARTIN, R.E. Recommendations for recording and calculating the incidence of selected clinical diseases of dairy cattle. J. Dairy Sci., v.81, p.2502-2509, 1998.

7. MULLER, L.D.; OWENS, M.J. Factors associated with the incidence of retained placenta. J. Dairy Sci., v.57, p.725-728, 1974.

8. SANTOS, R. L., MARQUES JÚNIOR, A.P. Retenção de placenta em bovinos. Cadernos_Técnicos da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG, n. 15, p. 37- 52,1996.

9. DUBOIS, P.R. e WILLIANS, D. J. lncresed incidence of retained associated with heat stress in dairy cows. Theriogenology. v. 13, n. 2, p. 115-121,1980.

10. LEBLANC, S.J. et al, Reproductive tract defense and disease in postpartum dairy cows. Theriogenology, v. 76, p. 1610-1618, 2011. Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/ pubmed. doi:10.1016/j.theriogenology.2011.07.017. Acesso em 01/11/11.

11. KIMURA, K., et al, Decreased neutrophil function as a cause of retained placenta in dairy cattle. Journal of Dairy Science, v. 85, p. 544-550, 2002. Acesso em 08/08/2011. Disponível em http://www.journalofdairyscience.org/article/ S0022-0302(02)74107-6.doi:10.3168/jds.S0022-0302(02)74107-6. Acesso em 01/11/11.

12. HAMMON, D.S. et al, Neutrophil function and energy status in Holstein cows with uterine health disorders. Veterinary Immunology and Immunopathology; v.113, p. 21-29, 2006. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.vetimm.2006.03.022.

13. PEREIRA-MAIA, E.C. et al., Tetracyclines and glycylcyclines: na overview. Química Nova, v. 33, p.12-19, 2010.

14. FERNANDES, C.A.C.; FIGUEIREDO, A.C.S. Avanços na utilização de prostaglandinas na reprodução de bovinos. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 31, n. 1/2, p.108-113, 2007.

15. LEWIS, G.S. Steroidal regulation of immune defenses. Animal Reproduction Science, v. 82, p. 281-294, 2004.

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