A mastite é o processo inflamatório da glândula mamária da vaca, normalmente causado por ação de agentes infecciosos bacterianos. (PEDRINI, S.C.B.; L.F.F. MARGATHO, 2003). É uma enfermidade responsável por alto prejuízo econômico na atividade leiteira, sendo que existem quatro fatores principais responsáveis por esses prejuízos: altas perdas na produção de leite, custos com tratamentos, custos de descarte e prejuízo na indústria devido a redução na qualidade e rendimento de derivados lácteos. Somente a redução na produção de leite representa entre 70 e 80% do prejuízo total decorrente da doença (SANTOS, 2001)

As mastites podem ser classificadas de acordo com a forma de manifestação, podendo ser clínica ou subclínica, ou podem ser classificadas quanto a forma de infecção, sendo esta contagiosa ou ambiental. As mastites clínicas são aquelas que podem ser detectadas através da observação de sinais clínicos do animal ou alterações visíveis no leite, já as formas subclínicas só podem ser detectadas através de exames específicos.

Quanto a classificação pela forma de infecção, as mastites denominadas “ambientais”, são aquelas decorrentes de agentes infecciosos oriundos do ambiente e as “contagiosas”, são aquelas provenientes de micro-organismos advindos principalmente de outros animais. Nosso enfoque nesse material será nesse último tipo de mastite, a mastite contagiosa.

Os microrganismos causadores da mastite contagiosa são adaptados a sobreviverem dentro do hospedeiro (Bradley, 2002) e geralmente estão presentes na vaca com e sem mastite, são transmitidos principalmente durante a ordenha através da ondenhadeira mecânica, tetos infectados para tetos saudáveis, mão do ordenhador, bezerro etc. (Costa et al., 2001). Os principais microrganismos desse tipo de mastite são os Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus e Corynebacterium bovis (Langoni, 2000).

 

Os sinais clínicos da mastite contagiosa somente serão visíveis na manifestação clínica da doença, podendo resultar em alterações na coloração, viscosidade ou grumos no leite ou até mesmo alterações na vaca, caracterizados por úbere avermelhado com aumento de volume e temperatura, vaca prostrada, sem apetite, desidratada e em alguns casos a morte. Para a detecção dos casos subclínicos podem ser feitos exames laboratoriais, como a detecção de corpos cetônicos no leite, ou até mesmo o C.M.T., teste simples e barato que pode ser feito na própria fazenda.

Quanto a prevenção e controle, objetivando a redução do nível de novas infecções, existem três princípios básicos, sendo eles: diminuição da exposição dos tetos aos agentes infecciosos, aumento da defesa imunológica e a antibioticoterapia escolhida (Blowey & Edmonson, 1999; Fonseca & Santos, 2001).

Adicionalmente devemos também instruir os funcionários da ordenha a fim de se evitar a utilização de panos ou esponjas em mais de um animal, fazer a assepsia dos tetos através do pré-dipping e pós-dipping (imersão dos tetos em substância desinfetante). Dietas balanceadas e adequadas para cada categoria animal e momento em que o mesmo se encontra também auxilia através do aumento da imunidade (FONSECA, L.F.L.; SANTOS, M.V., 2001).

Quanto a terapia antimicrobiana, método mais eficaz de resolução da enfermidade, segundo estudos, uma das formulações mais eficazes e é a associação de Amoxicilina e Clavulanato de Potássio, apresentando eficácia superior a 90% na eliminação dos agentes responsáveis pela mastite (NUNES et al., 2007).

A sugestão da J.A Saúde Animal para a mastite contagiosa é o uso do produto Mastite Clínica VL, intramamário à base de Amoxicilina e Clavulanato de Potássio, sendo indicado uma seringa por teto a cada 12 horas, até 3 aplicações. Adicionalmente, indica-se o Diclopen 10 Milhões como tratamento sistêmico. Diclopen é um antimicrobiano à base de Penicilina Procaína e Potássica, Estreptomicina e Diclofenaco de Sódio e deve ser utilizado na dose de um frasco por dia, durante 3 dias. Consulte sempre seu Médico Veterinário.

 

Clique aqui e saiba mais sobre o Mastite Clínica VL. 😊

 

Autor: Eduardo Henrique de Castro Rezende – Médico Veterinário – J.A Saúde Animal.

 

 

 

Referências:

BLOWEY, R.; EDMONDSON, P. Mastitis: causas, epidemiología y control. Zaragoza: Acríbia, 1999. 39p.

COSTA, E.O.; GARINO JÚNIOR, F.; WATANABE, E.T.; RIBEIRO, A.R.; SILVA, J.A.B. Proporção de ocorrência de mastite clínica em relação à subclínica correlacionada aos principais Agentes Etiológicos. Revista do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Glândula Mamária e Produção Leiteira, São Paulo, v.4, p.10-13, 2001.

FONSECA, L.F.L.; SANTOS, M.V. Qualidade do leite e controle da mastite. São Paulo: Lemos, 2001. 175p WORKSHOP SOBRE PROGRAMA INTEGRADO DE MASTITE BOVINA, 1996, Juiz de Fora. Anais… Juiz de Fora: Embrapa/CNPGL, 1996. 68p.

LANGONI, H. Tendências de modernização do setor lácteo: monitoramento da qualidade do leite pela contagem de células somáticas. Revista de Educação Continuada do CRMV-SP, São Paulo, v.3, p.57-64, 2000.

NUNES, Sandro Faleiros et al. Antimicrobial susceptibility traits of subclinical bovine mastitis pathogens in Portugal. Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias, Lisboa, n. 102, p.275-280, 2007. Disponível em: <http://www.fmv.ulisboa.pt/spcv/PDF/pdf12_2007/275-280.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2018.

SANTOS, M. V. Impacto econômico da mastite. Site Milkpoint. Disponível em. Acesso: em 22 dez. 2001b.

 

Deixe um comentário