Endometrite Crônica: Um dos grandes responsáveis pela queda dos índices reprodutivos do rebanho

 

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – Materiais técnicos – J.A Saúde Animal

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Responsável técnico – J.A Saúde Animal

 

A endometrite bovina é um processo inflamatório uterino comum que acomete principalmente vacas de leite no período pós-parto, afetando negativamente desempenho reprodutivo devido à queda na fertilidade do rebanho (CURTIS & ERB, 1985; GROHN et al., 1990).

A cada dia que passa a incidência da doença vem aumentando e se tornando um dos principais problemas reprodutivos no gado leiteiro (BANDINAND, 1976). As taxas de infecção variam de 24,8% a 51,3%, apresentando um padrão enzoótico no rebanho leiteiro (SANTOS, 2009).

O atraso reprodutivo é evidente, segundo pesquisas, pode ocorrer aumento de 0,64 na média do número de serviços por concepção, com um aumento de 11,2 dias na média do primeiro serviço além de prolongar o intervalo entre partos (CHOW et al., 1984; BORSBERRY et al.,1989).

O principal sinal clínico da endometrite é a secreção vaginal purulenta, sendo esta detectada na vagina dos animais afetados 21 dias ou mais após o parto, com aspecto mucopurulento (aproximadamente 50% pus, 50% muco) ou catarral (LEBLANC et al., 2002a; SHELDON et al., 2006).

Essa secreção é peça fundamental no diagnóstico da endometrite e a coleta pode ser feita através do auxílio do espéculo, metricheck ou apenas com a mão enluvada, sendo que independente do método é importante a limpeza da vulva afim de se evitar a inoculação de contaminantes na vagina (SANTOS, 2015).

Ao se fazer a vaginoscopia, o espéculo deve ser introduzido na vagina na altura do óstio externo da cérvix, empregando-se lanterna para inspecionar a secreção. Quanto ao uso do Metricheck, este deve ser introduzido até porção mais cranial da vagina sendo trazido posteriormente para fora juntamente com a secreção. E sem a necessidade de nenhum instrumento, a mão enluvada pode ser introduzida até a entrada da cérvix para a coleta de secreção (SANTOS, 2015).

Após a coleta do material, um simples sistema de escore da característica ou odor do muco vaginal (FIGURA 1) é facilmente aplicável para avaliar vacas com endometrite (SHELDON et al., 2006).

A infusão intrauterina tem como objetivo atingir altas concentrações no local
da infecção (GUSTAFSSON, 1984; GILBERT & SCHWARK, 1992). Em contraste à administração sistêmica, a administração local alcança maior concentração antimicrobiana no endométrio, porém penetração insuficiente nas camadas uterinas mais profundas (MASERA et al., 1980; BRETZLAFF et al., 1983).

As drogas mais comuns utilizadas para infusão uterina são os aminoglicosídeos, as penicilinas e as tetraciclinas. Os aminoglicosídeos têm sua eficácia diminuída pois necessitam de um ambiente aeróbico, contrário do apresentando pelo ambiente uterino devido aos debris celulares e tecidos necróticos. Quanto as penicilinas e cefalosporinas, estas tendem a dar resultados ruins quando administrados nos primeiros 30 dias pós-parto, devido a presença de bactérias produtoras de enzimas que inativam o medicamento (SANTOS, 2015).

As tetraciclinas, mais especificamente a oxitetraciclina, é o fármaco mais indicado para infusão uterina. Este princípio satisfaz os critérios para a seleção de uma substância antimicrobiana para o tratamento de endometrite (NOAKES, 1991). Segundo Fontes (1998), animais tratados com oxitetraciclina apresentaram uma taxa de recuperação de quase 80%.

A J.A Saúde Animal, em busca do medicamento ideal para o tratamento desse problema tão importante, desenvolveu o Metrifim®.

O Metrifim® é uma infusão uterina a base de oxitetraciclina que destrói rapidamente a flora contaminante, promove a curetagem química do endométrio, interrompe as secreções purulentas e fluidifica a secreção já existente além de estimular a ciclicidade e produção de muco límpido e cristalino.

Para saber mais entre em nosso site: http://jasaudeanimal.com.br/produtos/metrifim/

 

REFERÊNCIAS

BANDINAND, F. Métrites puerpérales enzootiques chez la vache. Importance relative des differents facteurs d’apparition. Record Medicine Veterinary, v. 152, p. 87- 93, 1976;

BRETZLAFF, K.N. et al. Distribution of oxytetracycline in genital tract tissues of postpartum cows given the drug by intravenous and intrauterine routes. American Journal of Veterinary Research, v. 44, p.760-769, 1983;

CHOW, L. A.; FONSECA, V. O.; AZEVEDO, N. A.; MOREIRA, M. J.; FRANCO, M. L. M. Utilização da prostaglandina F2- alfa na terapia das infecções uterinas. A Hora Veterinária, ano III, n.18, p. 19-22, 1984;

CURTIS, C. R.; ERB, H. N. path analysis of dry period nutrition, postpartum metabolic and reproductive disorders, and mastitis in Holstein cows. Journal of Dairy Science, v. 68, p. 2347, 1985;

FONTeS, l.c.m. Uso da oxitetraciclina e do lugol no tratamento das infecções do útero bovino. 1998. 50 f. Monografa (Curso de Especialização em Medicina Veterinária) – Departamento de veterinária de viçosa, viçosa, mG, 1981.

FONTeS, l.c.m. Uso da oxitetraciclina e do lugol no tratamento das infecções do útero bovino. 1998. 50 f. Monografa (Curso de Especialização em Medicina Veterinária) – Departamento de veterinária de viçosa, viçosa, mG, 1981.

GILBERT, R.O.; SCHWARK, W.S. Pharmacologic considerations in the management of peripartum conditions in the cow. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, v.8, p.29–56, 1992;

GUSTAFSSON, B.K. Therapeutic strategies involving antimicrobial treatment of the uterus in large animals. Journal of American Veterinary Medical Association, v.185, p.1194–1198, 1984;

LEBLANC, S.J. et al. Defining and diagnosing postpartum clinical endometritis, and its impact on reproductive performance in dairy cows. Journal of Dairy Science, v.85, p.2223–2236, 2002a;

MASERA, J. et al. Disposition of oxytetracycline in the bovine genital tract: systemic vs intrauterine administration. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.176, p.1099–1102, 1980;

NOAKES, D.E.; WALLACE, L.; SMITH, G.R. Bacterial flora of the uterus of cows after calving on two hygienically contrasting farms. Veterinary Record, v.128, p.440–442, 1991;

SANTOS, Anselmo Domingos Ferreira; COSTA, Eduardo Paulino; GUIMARÃES, José Domingos; ROVAY, Hebert; TORRES, Ciro Alexandre Alves; CALDAS, Eduardo Luiz Cavalcanti. Tratamento de endometrite bovina pós-puerperal pelas vias intramuscular e intrauterina. Ciência Animal Brasileira, 2009;

SANTOS, R. M. O período de transição e a saúde uterina. V & Z Em Minas, Belo Horizonte, n.125, p.31-33, abr./mai./jun. 2015;

SHELDON, I.M. et al. Defining Postpartum Uterine Disease and the Mechanisms of Infection and Immunity in the Female Reproductive Tract in Cattle. Biology of Reproduction, v.81, p. 1025–1032, 2009a;

SHELDON, I.M. et al. Defining postpartum uterine disease in cattle. Theriogenology, v.65, p.1516–1530, 2006. doi:10.1016/j.theriogenology.2005.08.021;

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