A diarreia nos bezerros é uma doença comum que afeta os recém-nascidos nas primeiras semanas de vida. É um dos principais causadores de perdas econômicas pelo fato de apresentarem alta morbidade e mortalidade (WEI et al., 2013), reduzindo o ganho de peso e onerando demasiadamente os custos da produção (VEJA et al., 2011). É uma doença multifatorial dos bezerros, envolvendo a interação do animal com ambiente, a nutrição e os agentes infecciosos (BENESI, 1999).

Em estudo realizado em Minas Gerais, demonstrou-se que a taxa de mortalidade de bezerros está em torno de 14%, sendo a diarreia um importante fator de manutenção destas taxas (LEITE et al., 1982).

São diversos os agentes desencadeantes do processo, dentre eles os enteropatogênicos, bactérias (Escherichia coli, Salmonella sp., Clostridium perfringens), vírus (rotavírus e coronavírus); protozoários (Eimeria sp.) e verminoses. Dentre esses, em termos de mortalidade, a colibacilose, cujo o agente causal é a bactéria Escherichia coli, é uma das principais causas de diarreias. Esse tipo de diarreia acomete principalmente os bezerros nas três primeiras semanas de vida (EMBRAPA).

O principal sinal clínico da colibacilose é a diarreia aquosa de coloração amarelo-pálida ou esverdeada e, raramente com muco ou sangue. Ademais há desidratação, debilidade e óbito dentro de poucos dias (HAGGARD, 1985; CASTRO & YANO, 1992). No caso da forma septicêmica o óbito pode ocorrer nas primeiras 24 horas após o nascimento (MERRITT, 1980).

O diagnóstico da colibacilose é baseado no histórico e sinais clínicos, sendo confirmado pela presença da bactéria nas fezes, através da coprocultura (McDONOUGH et al., 1994; ÇABALAR, 2001).

O tratamento consiste na correção dos déficits hidroeletrolíticos e no uso de antimicrobianos efetivos contra o agente (BENESI, 1999). Quanto a prevenção da colibacilose neonatal, é indicada a vacinação das vacas prenhes, de forma que esses animais transfiram a imunidade contra o agente através do colostro (AVILA et al., 1986).

Os antimicrobianos mais indicados no tratamento dessa enfermidade são aqueles a base de enrofloxacina, norfloxacina, gentamicina, florfenicol e a associação de sulfametoxazol e trimetoprim. Essa a associação, é considerada por muitos pesquisadores a forma mais efetiva contra a Escherichia coli (ZEMAN et al.,1989; LAZARO et al., 1994).

A sugestão da J.A Saúde Animal para o tratamento da colibacilose é o uso da Mastissulfa, associada a fluidoterapia de suporte, de acordo com as recomendações de seu Médico Veterinário. A Mastissulfa é um produto a base de Sulfametoxazol e Trimetoprim, de alta eficácia, sendo recomendado a aplicação de 2mL/15kg, por via intramuscular ou intravenosa, uma vez ao dia, durante 3 a 5 dias.

Autores:

M.V. Eduardo Henrique de Castro Rezende – Materiais técnicos – J.A Saúde Animal

Prof. Dr. José Abdo Andrade Hellu – Responsável técnico – J.A Saúde Animal

 

 

 

REFERÊNCIAS:

AVILA, F.A.; AVILA, S.H.P. SCHOCKEN-ITURRINO, R.P.; QUINTANA, J.L. Evaluation of the immunizing efficiency of a pili K99 – bearing vaccine for the protection of cattle against colibacillosis. Ars Vet., Jaboticabal, v.2, n.2., p.217-220, 1986.

BENESI, F. J. Síndrome diarreia dos bezerros. Revista CRMV-ES, v. 2, p. 10-13, 1999.

BENESI, F.J. Diarréia infecciosa neonatal dos bezerros. In: Anais… I Simpósio Pfizer sobre doenças infecciosas e vacinas para bovinos. Guarulhos, 1996. p.15-24.

ÇABALAR, M.; BOYNUKARA, B.; GÜLHAN, T.; EKIN, I.H. Prevalence of rotavirus, Escherichia coli K99 and O157:h7 in healthy dairy cattle herds in Van, Turkey. Turk. J. Vet. Anim. Sci., v.25, p.191-196, 2001.

CASTRO, A.F.P.; YANO, T. Principais doenças diarréicas dos bezerros de origem bacteriana. In: CHARLES, T.P.; FURLONG, J. Diarréias dos bezerros. Coronel Pacheco: EMBRAPA – CNPGL, 1992, p.02-38.

EMBRAPA. Diarreia em bezerros. Disponível em: <http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD34.html>. Acesso em: 20 Jun. 2017.

HAGGARD, D.L. Bovine enteric colibacillosis. Vet. Clin. North Am. – Food nim. Pract., Philadelphia, v.1, n.3, p.495-508, 1985.

LAZARO, N.S.; HOFER, E.; RODRIGUES, D.P.; MENDONÇA, C.L.; GONÇALVES, L.M.V. Comportamento de amostras de Escherichia coli isoladas de bovinos frente a antimicrobianos. R. Bras. Med. Vet., v.16, n.5, p.198-201, 1994.

LEITE, R. C., LIMA, J.D. Fatores sanitários que influenciam na criação de bezerros. Arq Esc Vet UFMG, v.34, p. 485-492.

McDONOUGH, S.P.; STULL, C.L.; OSBURN, B.I. Enteric pathogens in intensively reared veal calves. Am. J. Vet. Res., Chicago, v.55, n.11. p.1516-1520, 1994.

MERRITT, A.M. Small intestinal diseases of neonates. In: ANDERSON, N.V. Veterinary Gastroenterology, 1a ed., Lea & Febiger: Philadelphia, 1980, p.464-482.

VEGA, C.; BOK, M.; CHACANA, P.; et al. Egg yolk IgY: Protection against rotavírus induced diarrhea and modulatory effect on the systemic and mucosal antibody responses in newborn calves. Veterinary Immunology and Immunopathology, v. 142, n. 3-4, p. 156-169, 2011.

WEI, S.; GONG, Z.; CHE, T.; et al. Genotyping of calves rotavírus in China by reverse transcription polymerase chain reaction. Journal of Virological Methods, v. 189, n. 1, p. 36- 40, 2013.

ZEMAN, D.H.; THOMSON, J.U. FRANCIS, D.H. Diagnosis, treatment, and management of enteric colibacilosis. Vet. Med., Ames, p.794-802, 1989.

 

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