A acropostite-fimose é uma das principais afecções que acometem a extremidade prepucial dos bovinos e na maioria dos casos cursa com os seguintes sinais clínicos: prolapso da mucosa prepucial, edema, hemorragia, miíases, necrose e estenose do óstio prepucial (RABELO et al., 2008). Ocorre dificuldade de exposição do pênis tanto para a micção e cópula, ocasionado prejuízos relacionados a diminuição da fertilidade. Os fatores predisponentes para essa ocorrência incluem características anatômicas de algumas raças, como o prepúcio excessivamente penduloso; pastagens mal manejadas com presença de plantas espinhosas e lenhosas, que podem ocasionar lesões no prepúcio durante o pastejo; traumas por pisaduras; picadas de insetos e ectoparasitas; e outros traumas mecânicos. Outro fator de grande importância é o prolapso crônico da mucosa prepucial, situação que aumenta os riscos de trauma e desenvolvimento desta doença.

Touros de raças zebuínas são mais acometidos por possuírem prepúcio penduloso e orifício prepucial mais largo, em relação aos touros de raças europeias (NASCIMENTO e SANTOS, 2011). Em propriedades que adotam manejo extensivo, os touros frequentemente podem lesionar o prepúcio durante a cópula ou durante o pastejo, portanto, os proprietários devem estar sempre atentos ao início desse tipo de lesão, devido ao alto custo com tratamentos, prejuízos zootécnicos e reprodutivos, além do risco de descarte do animal. (RABELO et al., 2006)

O diagnóstico da acropostite-fimose pode ser feito por meio do exame clínico específico, com inspeção e palpação da extremidade prepucial, a fim de identificar-se áreas de fibrose, necrose, úlceras e presença de miíases. Atualmente, novas técnicas de exame complementar, como a ultrassonografia, tem auxiliado os médicos veterinários no diagnóstico (ANDRADE, L.C.C., 2016; NORONHA FILHO et al., 2015). O protocolo terapêutico para o tratamento desta afecção depende do grau de comprometimento da mucosa prepucial e do valor zootécnico do touro. Logo, pequenas lesões podem ser tratadas clinicamente por meio de antibioticoterapia e curativos locais. Entretanto, lesões crônicas com presença de fibrose, estenose do óstio prepucial e necrose, devem ser tratadas cirurgicamente. Observa-se que na maioria das vezes o médico veterinário é acionado quando a lesão no prepúcio é antiga e grave.

Durante o pós-operatório é indispensável a administração de antibióticos e anti-inflamatórios não esteroidais. Acrescente-se a indicação de duchas diárias sobre o local da ferida, a fim de amenizar o edema, e os curativos tópicos diárias com aplicação de pomadas cicatrizantes. Dado os riscos de reincidência da lesão após a cirurgia pode-se utilizar um avental de algodão que protege o prepúcio, que deve ser trocado uma vez ao dia (SILVA et al, 1998). O proprietário deve atentar-se ao período de descanso sexual do touro.

Como alternativa para a antibioticoterapia, a J.A Saúde Animal sugere o Gentopen®, medicamento à base de Benzilpenicilina Potássica e Sulfato de Gentamicina, associação que confere ação imediata. A dosagem recomendada para bovinos é de 1ml para cada 21kg, durante 3 a 5 dias. Para a ação anti-inflamatória, o Diclofenaco J. A® é indicado por ser um fármaco não esteroidal e agir também como analgésico e anti-pirético. A dosagem recomendada é de 1ml a cada 50kg.

 

Autores: Ana Paula de Almeida Vinhal1; Paulo José Bastos Queiroz2; Luiz Antônio Franco da Silva3

  1. Graduanda do Curso de Medicina Veterinária e “Parceira” do Projeto J.A Universidade
  2. Veterinário Mestre em Ciência Animal
  3. Professor Doutor, das Disciplinas de Técnica Operatória e Patologia Cirúrgica Animal

Universidade Federal de Goiás, Escola de Veterinária e Zootecnia

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, L.C.C.; SANTOS, G.P.; RABELO, L.M. et al. Novas perspectivas no diagnóstico e tratamento da acropostite -fimose em touros. Investigação, v.16, n.2, p.1-201, 2016.

NASCIMENTO EF, SANTOS RL. Patologia da reprodução dos animais domésticos. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. p. 153.

NORONHA FILHO, A.D.F.; BORGES, N.C.; FREITAS, S.L.R. de; QUEIROZ, P.J.B.; BARCELLOS, L.C.; SILVA, L.A.F. Ultrassonografia do prepúcio de touros com acropostite e fimose – resultados parciais. Revista O Biológico – Suplemento, v. 77, s. 2, 2015.

RABELO, R.E.; SILVA, L.A.F.; BRITO, L.A.B. et al. Epidemiological aspects of surgical diseases of the genital tract in a population of 12,320 breeding bulls (1982-2007) in the state of Goias, Brazil. Ciência Animal Brasileira, n.3, p. 705-713, 2008.

RABELO, R.E.; SILVA, L.A.F, VIU, M.A.O. et al. Acrobustite bovina: revisão de literatura. Revista do Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV, v.12, n.37, p.29-36, 2006.

SILVA, L.A.F.; SILVA, C.A.; FIORAVANTI, M.C.S. et al. Tratamento cirúrgico da estenose e/ou fibrose prepucial em touros. ARS Veterinária, v.14, p.235-244, 1998.

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